segunda-feira, 9 de abril de 2012

Um conto:O Reizinho e o Sol de Vania Dohme & Walter Dohme

Era uma vez, dois irmãos que eram príncipes e se amavam muito. Quando cresceram, cada um foi reinar em um povoado vizinho. Mas, eles sempre se visitavam e trocavam idéias de como melhor atender ao seu povo. Assim, os dois reinos eram ricos e pacíficos.

Chegou o dia no qual um deles se casou. A princesa era muito bonita, e a festa foi maravilhosa. Por dez dias e dez noites, o povo dos dois povoados dançaram, beberam e comeram à vontade. Não demorou muito para que o primeiro filho nascesse, ele era bonito e saudável.

- Vou chamar meu irmão para padrinho da criança - pensou.

Mas, à noite, ele teve um sonho. Uma velhinha magrinha e toda vestida de verde apareceu e falou:

- Seu filho precisa de uma madrinha mais poderosa, pois não irá demorar e ele se tornará rei.

A princípio, o rei não acreditou, mas, por garantia, resolveu chamar uma fada sua amiga para batizá-lo. Ela veio com prazer e deu de presente ao príncipe um dom:

- Tudo o que o meu afilhado falar será obedecido! Não haverá homem ou ser fantástico que ouse

contrariá-lo!

O rei pensou que a velhinha do seu sonho poderia estar certa, pois o presente que a fada estava oferecendo era digno de um rei e não de um menininho. O menino foi crescendo e podia-se ver que o presente da fada estava funcionando. O cachorrinho real obedecia ao principezinho com rapidez, dava saltos e cambalhotas formidáveis.

Os sapos da lagoa, seus amigos, coaxavam na hora em que ele pedia e, para o seu deleite, cantavam lindas canções; e os ratinhos, também seus amigos, vinham correndo para brincar, bastava ele bater com as mãos uma vez.

Mas, esta calma teria um breve fim. O irmão do rei ficou doente e não podia mais governar o seu povo. Como não tinha filhos, seu irmão, o rei pai do príncipe, deveria acudi-lo. Todos acharam justo, pois o principezinho, embora tivesse apenas sete anos, poderia ser coroado rei.

E, assim, aconteceu que o príncipe foi coroado rei. A fada, sua madrinha, correu para a cerimônia e resolveu se hospedar no palácio para poder, mais de perto, orientar o afilhado. Mas, o reizinho não gostou muito de sua nova função, ele queria brincar e não ficar governando o povo. Os ministros sempre precisavam ir buscá-lo na lagoa, onde ele ficava brincando com os sapos e com sua bola de ouro; na cozinha, onde ele estava pulando corda com os ratos; ou no quarto de sua fada madrinha, onde ele ficava ouvindo histórias.

E, quando ele era obrigado a visitar o povoado, ficava só reclamando com tudo e com todos. Ele não queria ser rei, mas, principalmente, não gostava de se vestir de rei. A roupa era apertada, o manto era grosso e o deixava com muito calor, e a coroa de ouro era muito grande e lhe caía sobre os olhos de forma que ele quase não podia ver nada; além disso, ela esquentava muito com o Sol, e ele ficava com dor na cabeça.

Assim, seguia reclamando:

- Oh! Droga de coroa, não consigo ver nada. Droga de Sol, precisa estar tão quente?

Os ministros iam do seu lado abanando, mas de nada adiantava, ele continuava a reclamar:

- Droga de Sol, está me assando! Droga de coroa, droga de manto, é muito quente! Um dia, não mais agüentado, ele gritou:

- Vou tirar este manto e esta coroa! Não estou mais aqüentando tanto calor!

- Não, majestade, não faça isso! - falou o primeiro ministro. - O senhor é rei, e rei não perde nunca a sua compostura.

- O que é compostura? - perguntou o príncipe.

- É este porte real que o senhor tem, sua educação e elegância. É um comportamento que faz com que todas as pessoas percebam que o senhor é que é o rei. O príncipe não entendeu e também, embora fosse criança, pensou que ele não deveria ter esta tal de “compostura” principalmente com uma coroa que lhe afundava na cabeça e com um manto no qual vivia tropeçando.

- Bem, se não posso tirar este manto e nem a coroa, que tirem o Sol!

Os ministros se entreolharam assustados e a fada colocou a mão na boca e saiu assustada para o seu quarto, certamente para ler o seu livro de magia e ver o que poderia fazer nessa situação.

Como estava cansado, o reizinho foi dormir, nem se preocupando com os adultos, que pareciam estar muito preocupados. Ele dormiu bem gostoso e, quando acordou, olhou esperançoso para a janela para ver se ainda era noite, pois estava com muito sono e queria dormir mais. E ainda estava escuro! Que bom! Deu um salto para virar de lado e imediatamente começou a roncar de novo.

Depois de algumas horas, acordou novamente e pensou:

- Agora não tem jeito, deve ter amanhecido e terei de levantar. Mas, oh! Glória das glórias, ainda era “de noite” e ele poderia dormir mais um pouco. Ele jogou o travesseiro para o alto de tanta alegria e virou novamente de lado, puxando o lençol para cobrir a sua orelha e dormir aconchegadamente mais um pouco. E, assim, ele acordou mais duas vezes para olhar pela janela, e ainda estava escuro. Que noite comprida! pensou e, virava novamente de lado para dormir. Finalmente, chegou o momento em que a sua camareira entrou no seu quarto para acordá-lo:

- Vamos, reizinho, já é tarde. Você precisa levantar, já dormiu muito. Mas, quando ele olhou pela janela, viu que ainda estava escuro:

Mas, como quer que eu levante ainda de noite?

- Não, reizinho, já é manhã! É que o Sol não apareceu hoje! - respondeu a camareira.

- Não apareceu! É melhor mesmo, assim não irei passar calor.

No quarto ao lado, a fada, sua madrinha, chorava, pois estava arrependida com o dom que havia dado ao seu afilhado: o de sempre ser obedecido. Não pensou que poderia causar qualquer mal.

Mas, agora, tinha acontecido! O Sol havia obedecido à ordem do menino e tinha ido embora!

Mas, o reizinho não viu problema nisso, saiu para visitar o povoado, reclamando que a roupa era apertada e que a coroa lhe caía da cabeça, mas do calor ele não reclamou, pois o Sol não apareceu em momento algum.

O povo estava muito assustado, não sabia o que fazer. Com a escuridão, não podia levar as ovelhas para pastar, cuidar da lavoura, das crianças e da casa.

- O senhor não deveria ter dado esta ordem, o Sol obedeceu e agora todos estão passando maus momentos - falou o primeiro ministro.

- É, mas eu não estou passando calor, está bom assim! - falou o reizinho, só se preocupando com ele.

- Espero que amanhã o Sol apareça, pois será difícil conter o povo nesta situação – falou novamente o primeiro ministro.

Mas, o Sol não apareceu no dia seguinte e nem no outro. O povo começou a ficar muito agitado e procurou o reizinho.

- Mande o Sol voltar! Precisamos de luz! - falavam muitas pessoas em coro.

Até o reizinho começou a achar que não tinha feito coisa boa, pois, com a escuridão, tropeçava em todas as coisas, e já havia caído três vezes em um buraco.

- Ponham luz neste povoado! - gritou nervoso após ter batido o nariz em uma árvore.

Imediatamente, todos os empregados do reino saíram correndo colocando vela, lampiões e lamparinas por todo o lugar onde o reizinho iria passar. Mas, embora tudo tenha ficado bem mais claro, estava muito longe da claridade que o Sol trazia todos os dias. Enquanto isso, a fada, que sempre o acompanha, passava as noites lendo os seus livros para ver se encontrava uma forma de “desvirar” a sua magia, para que o reizinho não fosse mais obedecido cegamente, pois muitas catástrofes poderiam acontecer por isso, igual a essa, que tinha feito o Sol ir embora.

Mas, a iluminação não acalmou a população, as pessoas estavam com frio, as plantas começaram a murchar, e os sapos, fizeram uma fila enorme, um atrás do outro para ir embora, estavam se retirando porque com o frio que estava na lagoa eles não podiam viver.

- Façam fogueiras em cada palmo de terra que encontrarem, quero calor, meus amigos sapos não podem me abandonar.

E os empregados reais saíram colocando fogueiras para todo o lado para que o calor voltasse outra vez, mas nada, nada era igual ao calor do Sol.

Neste dia, a fadinha não veio, ela estava perto de encontrar a solução e havia ficado no castelo para fazer a poção. E, de repente: Pun catcha bum! Viu-se um clarão enorme, seguido de uma fumaça verde, sair da cozinha do palácio.

- Consegui! Fiz o antídoto. O reizinho será uma pessoa normal outra vez, e as pessoas só obedecerão a ele quando ele tiver razão - falou a fada com voz melodiosa, mas tão alta, que deu para ouvir no povoado.

À noite, a fada serviu a poção ao reizinho, que a tomou com muito gosto, pois ela tinha gosto de banana misturado com o de chocolate, que era do que ele mais gostava.

Foi bom ele ter se alegrado no jantar, pois, no dia seguinte, a sua visita ao povoado foi triste. Por onde passava a comitiva real, havia restos das fogueiras que haviam sido acesas no dia anterior, a lenha tinha acabado e o fogo se apagara, só havia cinzas e ainda se sentia o cheiro de fumaça no ar.

As pessoas estavam com frio, sujas e fedidas, pois não podiam se banhar com a água que havia congelado, pelo mesmo motivo elas também estavam com sede. Estavam também machucadas, de tanto tropicões que levavam. As flores tinham sumido e os sapos também.

- Ordene que o Sol volte - falou o primeiro ministro.- E mandaremos fazer um manto mais leve para o senhor.

O reizinho achou que deveria obedecer não pelo manto mais leve, mas sim pelas flores, pela natureza e pelo seu povo. Todos estavam sofrendo muito. E também por ele mesmo, pois estava com saudades do Sol quentinho batendo nas suas costas, de ver os raios refletindo na lagoa e o arco-íris, de que tanto gostava, aparecer quando chovia.

E assim falou:

- Sol, apareça! Tampou até os olhos com as mãos esperando que o Sol aparecesse imediatamente.

Mas nada, o Sol não apareceu.

- Saia, Sol, eu estou mandando! - berrava o pequeno rei, mas nada do Sol aparecer. O reizinho ficou espantado, pois não conhecia esta situação de não ser obedecido.

- Sol, aparece! - gritou, enfurecido.

- Não adianta fazer assim, eu tirei o seu poder - falou a fada.

- Mas, como você fez isso comigo?

- Poder só é bom quando a gente sabe usar. Você ainda é muito pequeno para isso, precisa crescer. Quando você ficar maior, eu pensarei em dar este poder de volta.

- Mas, e agora, fada madrinha, como iremos viver sem o Sol? - perguntou o reizinho realmente preocupado.

- Ele irá voltar quando ele quiser, pois, que eu saiba, ele foi morar com o seu pai, no povoado vizinho.

- Você acha que ele poderá voltar seu eu for chamá-lo? - perguntou o reizinho.

- É possível, se você falar com jeito. Podemos tentar, eu vou com você.

E, assim, os dois saíram em busca do Sol. Foram sozinhos, pois ninguém tinha coragem de cruzar a floresta com tamanha escuridão.

O tempo passou, quase um mês, e as pessoas ficaram sofrendo com a falta da luz e do calor do Sol. Um certo dia, as pessoas começaram a ouvir um barulho de carruagem e foram correndo até a entrada da cidade para ver o que era. Como levaram suas lanternas, viram que se tratava de uma carruagem linda, puxada por doze cavalos

brancos. Sentados na frente, estavam o reizinho e a fada, e atrás tinha um enorme pacote envolto em um tecido azul brilhante recoberto de estrelas.

O reizinho desceu da carruagem e, orgulhosamente, descobriu o pacote. Uma luz brilhante começou a aparecer. Felizes, todos perceberam que era o Sol que o reizinho estava trazendo de volta.

Com sua varinha, a fada fez alguns gestos e o Sol vagarosamente começou a se levantar e subir aos céus. Todos ficaram acenando até que ele parou, enorme e radiante, bem no meio do céu.

Todos ficaram apreciando o espetáculo sem perceber que havia mais alguém na carruagem. Era um homem, que deu um salto e gritou:

- Voltei! Meu irmão sarou e eu voltei para assumir o meu reinado!

Foi aí que todos perceberam que se tratava do rei, pai do reizinho, que havia voltado para reinar novamente. E todos ficaram felizes dando as boas vindas a ele.

E, assim, o reizinho virou novamente príncipe e ficou feliz por isso. Ele vive novamente com o seu cachorrinho, pulando corda com os ratos e conversando na lagoa com os sapos, nunca mais se queixou do Sol, pois viu como ele é útil e importante.

Ele sabe, também, que é muito pequeno para ser rei e prefere continuar brincando. A fada continua ao seu lado, e ele já disse para ela que, quando for grande e novamente rei, não quer os seus poderes de volta. Prefere que as pessoas lhe obedeçam somente quando ele tiver razão, pois ter mandando embora o Sol e sentido a sua falta foi uma grande lição.

Mensagem

Muitas vezes, só se dá valor àquilo que se tem quando se perde... O reizinho tinha muita coisa e nem percebia como estas coisas eram boas, por isso vivia reclamando. Ele só percebe a utilidade do Sol e a dependência que todos têm dele quando este, cansado, vai embora.

As crianças são um pouco como o reizinho. Desde quando nasceram, estão lá: o Sol, a Lua, o mar, as flores e tantas coisas bonitas da natureza, elas usufruem tudo, na maioria das vezes, sem se dar conta de como isso é útil e bom. E, conseqüentemente, não dão valor à natureza que está, sempre esteve e sempre estará lá.

Porém, se a criança for convidada a pensar que, como o reizinho perdeu o Sol, ela poderá também perder algo que lhe dá prazer e poderá ver com outros olhos aquilo que tem facilmente e com fartura.

Este conceito está muito ligado às questões ecológicas, cada dia se fala mais na necessidade de preservarmos o meio ambiente para garantir que as futuras gerações tenham água, árvores, oxigênio e para cessar a extinção de várias espécies de animais e de plantas.

É importante que se desenvolva nas crianças uma conscientização ecológica para que elas aprendam a valorizar, a respeitar e a amar a natureza, para, somente depois disso, assumirem uma atitude responsável perante o meio ambiente.

Esta história pode ser o primeiro passo para o início de uma reflexão sobre todas as coisas boas que Deus colocou na terra, de graça, para o homem usufruir. Em seguida, talvez a criança precise que os seus pais chamem atenção para a beleza do pôr do Sol, a delicadeza de uma flor, a incontável variedade de pássaros, a sabedoria do ciclo das águas, a grandiosidade das estrelas no infinito. Isso aumentará as possibilidades dela apreciar e poder usufruir ao máximo as maravilhas da natureza.

Despertar o amor e o cuidado com o meio ambiente formará cidadãos responsáveis, comprometidos com a sua continuidade, e é isso que o planeta precisa...

A história trabalha também as questões de responsabilidade, pois o reizinho percebe que não adianta somente ter o poder de ser obedecido, mais importante do que isso é saber dar ordens com responsabilidade.

Recurso Auxiliar

Esta história tem apenas dois personagens: a fada e o reizinho, além de uma participação muito especial do Sol. Assim, sugerimos uma técnica de narração bem aconchegante e fácil de ser trabalhada, o "andoche".

O "andoche" é uma variação do dedoche, que, por sua vez, é uma variação do fantoche. Ou seja, enquanto o fantoche é manipulado pela mão do narrador, como se fosse uma luva, o "dedoche" é manipulado apenas por um dos dedos de uma das mãos do narrador. O "andoche" é quase um "dedoche", ele tem um corpo que permite ao narrador colocar dois dedos, fazendo as vezes das suas pernas. Através do movimento dos dedos, o boneco parece que está andando e, daí, veio este nome dado pelas crianças: "andoche".

Diferente dos fantoches, eles não precisam ficar atrás de uma janela, podem andar livremente, pois têm pernas. Aliás, esta é uma prática usualmente feita com crianças, pois quem não brincou de “dedinhos” correndo pela mesa atrás dos “dedinhos” da criança? E esta simples prática dá tanto prazer à criança, que dá gargalhadas e gritos com “medo de ser pega”.

É aconselhável fazer esta narração em uma mesa onde o narrador e os ouvintes se sentam em volta. O narrador fará os dois papéis: o reizinho e a fada, um em cada mão. O Sol poderá ser “encenado” por um narrador auxiliar ou pela criança, certamente ela gostará muito de fazer este papel.

O narrador irá contando a história, e os personagens vão se movimentando conforme a situação da cena. Quando houver diálogos, é aconselhável que o reizinho e a fada tenham vozes distintas.

Matéria no jornal La Nación (Argentina)

Ponen en duda el valor de los deberes.

En Europa y Estados Unidos, padres y especialistas cuestionan la utilidad de la tarea escolar que los chicos deben hacer en el hogar

Siempre sucedió en todo el mundo: los niños odian los deberes. Pero ahora, su utilidad en el proceso de enseñanza, por lo menos durante los primeros años de la escuela primaria, está comenzando a ser puesta en duda por los adultos: padres, académicos y educadores.

Los detractores de la tarea para el hogar argumentan, ante todo, que aún no existe una investigación científica que avale beneficio alguno para los deberes escolares en el proceso pedagógico.

En cambio, la lista de desventajas, afirman, es cada vez más extensa, al igual que la cantidad de horas que los niños dedican en sus casas a realizar los deberes.

Que son antipedagógicos; que causan conflictos en la familia y acarrean retos y castigos; que los padres se ven obligados a ejercer de profesores particulares; que desalientan a los niños en actividades como la lectura y que aumentan las desigualdades entre los alumnos que cuentan con ayuda familiar y los que no.

Entre otras, éstas fueron las razones expuestas en una protesta colectiva que, desde la semana pasado, reúne a un grupo de padres franceses agrupados en la Federación de Consejos de Padres de Alumnos de Francia (FCPE). Como muestra de su hartazgo, ellos convocaron a una "huelga de deberes" por dos semanas. Se quejan así de "los trabajos forzosos fuera del horario lectivo". El paro, con comentarios risueños de por medio, fue rechazado por el Ministerio de Educación francés, pero bastó para reabrir la polémica en distintos países sobre la tarea para el hogar.

"La idea de que las tareas enseñan buenos hábitos de trabajo o fortalecen la autodisciplina y la independencia es un mito urbano", señaló Alfie Kohn, un educador norteamericano autor del libro El mito de las tareas escolares. Por qué nuestros chicos reciben mucho de algo. Para Kohn, "la tarea no es de ninguna utilidad para aquellos que no entienden lo que están haciendo", y afirma que existen "un sinfín de evaluaciones que demuestran que son muchos los chicos en ese grupo". El especialista, sin embargo, reconoce que erradicar los deberes de la enseñanza escolar es un ideal imposible. Entonces, propone como alternativa que, por lo menos, "se hagan en clase y no en el hogar, con la supervisión y la guía de los maestros".

Con respecto a las desventajas de los deberes, Kohn agrega: "Hay chicos que pierden el interés en el aprendizaje por el rechazo a seguir trabajando otro turno después de salir de la escuela, y la tarea resta tiempo a otras actividades recreativas, a la creatividad y a los momentos dedicados al juego, en definitiva, a que sean chicos".

En el mismo sentido, la asociación mayoritaria de padres y madres de alumnos en España comparte muchas de estas ideas y, en solidaridad con la huelga de sus pares franceses, lanzó un comunicado de apoyo en el que dicen estar trabajando en un planteo similar. "La escuela se ve obligada a sobrecargar a niños y niñas de tareas que, en realidad, deberían haber trabajado en la escuela", argumenta el comunicado.

Uno de los especialistas que más ha estudiado sobre la eficacia de los deberes en el rendimiento escolar y la obtención de mejores notas es el experto en educación y psicología social Harris Cooper, de la Universidad de Duke, en Estados Unidos, que, al respecto, señaló en uno de sus ensayos: "Los alumnos que hacen deberes parecen tener mejores resultados que los que no, pero sólo en cantidades apropiadas a su desarrollo".

En el ámbito local, los expertos en educación e infancia intentan evitar los extremos y aportar una cuota de equilibrio en el debate.

"Ni auspiciarlos ni prohibirlos, simplemente necesitamos entender que la distribución de tiempos no puede alojar más presión sobre el aprendizaje y la vida académica. Jornadas escolares muy prolongadas, seguidas de actividades tan atractivas como comprimidas, dejan el día de los chicos sin resto", dijo a LA NACION Susana Mauer, psicoanalista de la Asociación Psicoanalista Buenos Aires (Apdeba) y especialista en niñez y adolescencia.

Desafiada por la pregunta en torno a la conveniencia o no de dar a los niños tarea escolar para la casa, Mauer invitó a realizar un cálculo matemático. "Propongo a los padres hacer una cuenta matemática. Si coincidimos en que un niño menor de diez años debe dormir no menos de diez horas diarias, su vigilia tiene tan sólo 14 horas, de las cuales la vida escolar absorbe alrededor de ocho. Las rutinas antes de dormir arrancan, durante el año académico, alrededor de las 19.30 para chicos que aterrizaron en sus casas, con suerte, un par de horas antes -reflexiona Mauer-. De allí que el interrogante pierde sentido porque, fácticamente, la tarea para el hogar no cabe en el organigrama vital que le estamos proponiendo. ¡Le queda tiempo cero!", concluye enérgica.

Para Mauer, los chicos quedan enredados en una rutina acelerada y sin respiro, "en la que no queda tiempo libre, tiempo suelto, no enjaulado", como decía con mucha agudeza María Elena Walsh.

Internet, un "profesor" en las sombras

Ni siquiera pueden imaginárselo. Para los niños de la era digital, Internet es parte de sus vidas. Socialmente, el chat y las redes de comunicación, como Facebook, son aliados casi irreemplazables, y lo mismo sucede si de tareas escolares se trata: la Web es la gran proveedora de información y algo más también.

Lo cierto es que en la era de Internet, más allá del rol que puedan cumplir los padres en la ayuda diaria de los trabajos que los alumnos deben realizar en los hogares, es fácil confundir la búsqueda de información en la Red con el famoso copy/paste, es decir, copiar y pegar.

De hecho, y también en Francia, la polémica en torno de las tareas escolares estalló hace algunos años cuando se conoció públicamente el lanzamiento de un sitio llamado www.faismesdevoirs.com (hazmisdeberes.com), en el que el estudiante tan sólo tenía que enviar el enunciado de la tarea encomendada por el profesor y, en el plazo máximo de dos o tres días, recibía el trabajo resuelto (todo por un precio que oscilaba entre los 5 y los 30 euros).

Aunque, hay que advertirlo, la mayoría de las veces no hace falta pagar nada. Sólo con un buen acceso a Internet es suficiente, tanto que el plagio de tareas simples hasta complejas monografías se ha extendido como una plaga en las aulas. Tanto es así que muchos profesores utilizan programas informáticos para detectarlo. "Una vez reconocí en un trabajo de un alumno extractos de una nota periodística que yo misma había hecho, y con copiar en Google algunas líneas comprobé lo que sospechaba. Había párrafos enteros plagiados en un trabajo que, se suponía, era una tesis final", contó Leticia Márquez, periodista y profesora de la carrera de Periodismo de una universidad porteña..

Fonte:

http://www.lanacion.com.ar/1463168-ponen-en-duda-el-valor-de-los-deberes

Domingo 08 de abril de 2012 | Publicado en edición impresa Educación / Un debate que da la razón a los chicos

domingo, 10 de outubro de 2010

Cântico Negro

" `Vem por aqui!´- disem-me alguns com olhos doces,
estendendo-me os braços e seguros
de que seria bom que eu os ouvisse
quando me dizem: ´Vem por aqui!
Eu olho-os com os olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansanços)
e cruzo os braços
e nunca vou por ali...
................................................................................................

Não sei por onde vou.
Não sei para onde vou.
- Sei que não vou por aí!"

José Régio (poeta português)

Para Refletir

Drummond dizia: "Sejamos pornográficos, docemente pornográficos"
(Parece que aceitaram exageradamente seu convite, e a coisa acabou em "grosseiramente pornográficos".

Vinicius de Moraes ou Rubem Braga dizeram em tom de elegia ipanemense:
Meus amigos, meus irmãos, sejamos delicados, urgentemente delicados.

"Elegia ao primeiro amigo" Vinicius de Moraes

Mato com delicadeza. Faço chorar delicadamente.
E me deleito. Inventei o carinho dos pés; minha alma.
Áspera de menino de ilha pousa com delicadeza sobre um corpo de adúltera.
Na verdade, sou um homem de muitas mulheres, e com todas delicado e atento.
Se me entediam, abandono-as delicadamente, despreendendo-me delas com uma doçura de água.
Se as quero, sou delicadíssimo; tudo em mim.
desprende esse fluido que as envolve de maneira irremissível.
Sou um meigo energúmeno. Até hoje só bati numa mulher
mas com singular delicadeza. Não sou bom
nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado
porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida
como um lobo.

(Está aí:porque somos ferozes precisamos ser delicados. Os que não puderem ser puramente delicados, que o sejam ferozmente delicados.
Houve um tempo em que se era delicado. E. Rimbaud, que aos dezessete anos já tinha feito sua obra poética, é quem disse um dia: "Por delicadeza, eu perdi minha vida".
Intrigante isto.
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Tudo é questão de estilo.
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Vivemos numa época em que nos filmes americanos os amantes se amam violentamente, e em vez de sussurrarem "I love you" arremetem um virótico "Fuck you".
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Penso nos grandes delicados da história. Deveriam começar a fazer filmes, encenar peças sobre os memoráveis delicados. Vejam o Marechal Rondon. Militar e, no entanto, como se fora um místico oriental, cunhou aquela expressão que pautou o seu contato com os índios brasileiros: "Morrer se preciso for; matar, nunca".)

(Trecho da crônica "Tempo de delicadeza" - Affonso Romano de Sant´Anna)




Cadê o papel - carbono?

Outro dia tive saudade do papel - carbono. E tive saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era branca e o telefone era preto.
Os mais jovens nem sabem o que é papel - carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia eletronicamente de outros para fazer as mínimas tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para tomar um elevador tenho que inserir um cartão eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google, essa enciclopédia no computador que facilita as pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem um controle remoto diferente e a gente não consegue usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!... Mas além de não terem descoberto como curar uma simples gripe, os elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma conclusão de como assinalar no mostrador que letra deve indicar a portaria.Será necessária uma medida provisória do mpresidente para uniformizar tal diversidade analfabética?
Outro dia , li que houve uma reunião em Baku, lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean Baudrillard* andou dizendo, com aquela facilidade que os franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas, que o que o que caractyerizaq essa época que está vindo por aí é que o homem, leia-se corretamente homens e mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não obtemos a informação necessária.)
Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios. O primeiro era de um vate mesmo - Vinicius de Mortaes, que naquele poema "Dia da Criação", fazendo considerações irônicas sobre o dia de "sábado" e os desígnios divinos, diz: "Na verdade, o homem não era necessário", É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela da Bíblia, que dizia q o "sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado". Isso foi antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias áereas e as telefônicas mais os servidores de informâtica nos convenceram que "o homem é que foi feito para a máquina". Ao telefone só se fala com máquinas, e algumas empresas - esses servidores de informática - nem seus telefones disponibilizam. Estou, por exemplo, há quatro meses tentando falar com alguém no "hotmail" e lá não tem viv´alma, só fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente você está gastando com e-mails? Quanto tempo para apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta, some. Vai ficar estarrecido.
Drummond certa vez escreveu: "Ao telefone perdeste muito tempo de semear". Ele é porque não conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada desregradamente é a grande sorvedora de tempo da pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel-carbono.
- Cadê meu papel- carbono?


*Filósofo francês, crítico da sociedade de consumo e um dos teóricos da pós-modernidade. Jean Baudrillard (1929-2007) publicou cerca de cinqüenta obras, entre elas (1970) e A sociedade de consumoSimulacros e simulação (1981). (N.E.)


Texto de Affonso Romano de Sant´Anna, um dos grandes poetas brasileiros, tem, nos últimos anos, brindando o público com deliciosas crônicas publicadas em vários órgãos da imprensa no país. No livro "Tempo de delicadeza" da Coleção L&PM Pocket, estão reunidops 47 textos em que o cronista - herdeiro literário de Rubem Braga e Fernando Sabino - delicadamente trata de assuntos corriqueiros da vida com o olhar demorado e singular da poesia. Um prato cheio para os fãs do autor e para os admiradores do melhor da crônica brasileira.

Tempo de delicadeza
Affonso Romano de Sant´Anna
Coleção L&PM Pocket, vol. 616
www.lpm.com.br

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Derrubando PAREDES e preconceitos (para refletir)

"Será indispensável alterar a organização das escolas, interrogar práticas educativas dominantes. É urgente interferir humanamente no íntimo das comunidades humanas, questionar convicções e, fraternalmente, incomodar os acomodados."

"Era um espaço capacitado para reproduzir desigualdade e infelicidade."

"Os professores, encerrados no refúgio da sua sala, a sós com os seus manuais uniformizados, a sua falsa competência multidisciplinar, repetiam passivamente as lições."

"As crianças que chegavam à escola com uma cultura diferente da que ali prevalecia eram desfavorecidas pelo não reconhecimento da sua experiência sociocultural.
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O resultado eram alunos desajustados que colocavam em prática a tradição da escola:mandar
os professores para o hospital. É claro que eles exigiam de nós uma atitude de grande atenção e investimento no domínio afetivo e emocional. E isso, a escola tradicional, cheia de regras impostas, não permitia."

"Os grandes projetos partem de pequenos gestos."

Derrubando paredes e preconceitos II

Quais foram suas primeiras ações no processo da mudança ocorrida na Ponte?
Todo processo de transformação começa com o professor. A escola só muda quando os professores trabalham em conjunto, se envolvem com a vida escolar e com as cianças. A profissão de professor não é um ato solitário. È um ato solidário, em que ele, ao mesmo tempo, ensina e aprende com as crianças novos jeitos de se relacionar e de ensinar. A meu ver, não há dificuldade de aprendizagem. Há é "dificuldade de ensinagem". As crianças são curiosas e aprendem naturalmente, basta dar oportunidade, liberdade e não atrapalhar. Outro desafio foi mudar a postura dos alunos,acostumados a serem receptores. No novo esquema, eles passaram a discutir os problemas em assembleias, sugerir mudanças e participar das transformações. Assim as paredes das classes foram derrubadas, crianças passaram a decidir o que e com quem estudar. Em vez de classes, grupos de estudo. independentemente da idade, o que as une é a vontade de estar juntas e de juntas aprender.

O que foi mantido da estrutura tradicional de uma escola na Escola da Ponte?
Somente restam vestígos da estrutura antiga, sobre a qual assentamos os andaimes de uma nova escola. Após uma primeira fase - chamada de "iniciação" - as crianças convivem e aprendem nos mesmos espaços, sem consideração pela faixa etária, mas apenas pela vontade de estar no mesmo grupo. O critério de formação dos grupos é o afetivo.

Depois que saem da Ponte, os alunos continuam os estudos? Como atuam na vida profissional?
Existem pesquisas sobre isso, mas os dados ainda não estão tabulados. Mesmo assim, posso afirmar que os ex-alunos são hoje, em grande parte, os pais dos atuais alunos da Ponte. Suas histórias de vida são, na sua maioria, de sucesso, realização pessoal e social, observando-se em muitos uma participação cívica bem acima do comum.
Hoje, a Ponte é uma escola da 1ª à 9ª série, mas, durante 25 anos, foi uma escola até a 4ª série. Os alunos que, ano após ano, saíam para a 5ª série revelaram sempre grande capacidade de adaptação à nova realidade. Conseguiam ser solidários, mas aceitavam as regras da competividade que eram impostas pela cultura da escola para onde transitavam. Sabiam trabalhar em grupo, pesquisar e autoavaliar-se, mas acatavam o ritmo dos toques de campainha, a aplicação de testes iguais para todos, o regime de turma e classe, etc...
Em 2003, o Ministério da Educação de Portugal encomedou a uma equipe da Universidade de Coimbra uma avaliação da Escola da Ponte e que concluiu que os ex-alunos da Ponte ob tiveram melhores resultados no currículo de 5ª série que os ex-alunos de outras escolas.
Mas essa constatação - que para os governantes foi decisiva para o apoio que agora disponibilizam ao projeto - não tem para nós nenhum significado. A classificação não é o mais imortante.